Os anos não se diluem no calendário convencional; vão se acumulando na memória como um carretel, cujas linhas se enroscam no próprio mandala de sustentação. Se 2011 se despede, 2012 dá sequência às horas encadeadas. Não há ruptura nessa passagem simbólica. O tempo não pergunta o instante em que deve acontecer. Apenas acontece. Sem ensaio. Não há páginas viradas, tampouco mudanças bruscas no meu diário. O que existe é subjetivismo fazendo dilatar e diminuir a sensação cronológica. O presente vem carregado de lembranças porque indica o momento em que evocamos o que parece ter sido. E foi exatamente em um círculo de ilusões que se apossou a saudade de mim mesma.
Mas cresci, mudei. Da presentificação tão concreta dop passado a um compacto arquivo de memórias. A letra relata sentimentos diuturnos, uma biografia intimista, com altos e baixos, e tantas, tantas, taaantas hesitações. O tempo da infância é um, o da adolescência, outro. O da maturidade se define pela inquietude do efêmero. Então tomamos consciência da fragilidade do existir. Antes, somos imortais. E corajosos. E ousados. E desafiadores. Atravessamos obstáculos de riso aberto sem o menor temor do imponderável. O periodo dameninice carimba traços que nos acompanham vida afora.
O ano de 2012 se aproxima e reclama idealizações. Fabricamos devaneios e acreditamos que todas as preces serão atendidas. Que as lembranças se tornem, não apenas um símbolo da memória, mas pedaços de realidade a povoas nossas mentes. Para 2012, realçarei -nas folhas em branco do ‘diário’- as utopias habitadas. E são muitas.
Bruna Cabral (: